sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Assim é, se lhe parece.

"Eu e você usamos a mesma língua, as mesmas palavras. Mas que culpa temos nós de que as palavras, em si, sejam vazias? Vazias, sim. Ao dizê-las a mim, você preenche-as com o seu sentido e valor; e eu, ao recebê-las, inevitavelmente preencho-as com o meu sentido e valor. Pensamos que nos entendemos; de fato, não nos entendemos. "

Pirandello

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Nasce um herói

And they say
That a hero could save us
I'm not gonna stand here and wait

sábado, 14 de novembro de 2009

Nerds.


Não é que não gostam de mulheres: apenas não foram estimulados do jeito certo.



Créditos: Piadas Nerds

domingo, 8 de novembro de 2009

leminski

saudade do futuro que não houve
aquele que ia ser nobre e pobre
como é que tudo aquilo pôde
virar esse presente podre
e esse desespero em lata

domingo, 20 de setembro de 2009

Your heart is full of hope

(ou "A tristeza que a impotência abriga")

Porque sempre sobra, no fundo, bem no fundo, aquele sentimento sonhador de que o mundo pode ser melhor. Todo mundo guarda, mesmo que não queira admitir, idealismos infantis que dão sentido à labuta e ao sacrifício -- "era quella parte vera che ogni favola d'amore racchiude in se per poterci credere".

Quella parte vera che sta lontana, così lontana.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Da solidão de não pertencer à quarta dimensão


10/10/2007

"No começo há uma missão, que impede o devir. No entanto, ao longo da existência foi re-posicionada em questão, surge o não pertencer e o anseio de pertencer como elementos constitutivos. A solidão clariceana é o núcleo do segredo, do mistério, do atrás do pensamento. Enquanto o silêncio, fonte de minhas palavras, se faz presença esperada. É a palavra, quarta dimensão, que ao emergir toca sua face oculta e a salva. A lucidez de Clarice diante da existência e da contingência humana revela, para além dela mesma, a humanidade assentada nestes registros. Com a palavra ela encontra o destino de suas questões, ergue a ponte ser-ser na qual se encontram as singularidades do ser gente."

(In "Da solidão de não pertencer à quarta dimensão", por Daniela Della Torre)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sobre a pressão do ensino

"Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova de física que recebera nota zero. O aluno dizia merecer nota máxima. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui escolhido.

Chegando à sala do meu colega, li a questão da prova: 'Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro.' A resposta do estudante foi a seguinte: 'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; esse comprimento será igual ao do edifício.'

Sem dúvida a resposta satisfazia o enunciado, e por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha respondido a questão, mas a resposta não comprovava conhecimento de física, que era o objeto da prova. Sugeri então que ele fizesse outra tentativa de responder a questão. Meu colega concordou prontamente e, para minha surpresa, o aluno também.

Segundo o acordo, ele teria 6 minutos para responder a questão, demonstrando algum conhecimento de física. Passados 5 minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala. Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida. Mas o estudante anunciou que não havia desistido. Ele estava apenas escolhendo uma entre as várias respostas que encontrara.

De fato, 1 minuto depois ele me entregou esta resposta: 'Vá até o alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado, solte o barômetro, medindo o tempo t da queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)g t², calcule a altura do edifício.' Nesse momento, sugeri ao meu colega que entregasse os pontos e, embora contrafeito, ele deu uma nota quase máxima ao aluno.

Quando ia saindo, lembrei-me de que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Não resisti à curiosidade e perguntei quais eram essas respostas. Ele disse: 'Ah! sim, há muitas maneiras de achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro. Por exemplo: num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando uma regra de três simples e direta, determina-se a altura do edifício. Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas tem-se a altura do edifício em unidades barométricas. Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade. Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, obtêm-se duas acelerações diferentes, e a altura do edifício pode ser calculada com base nessa diferença. Se não for cobrada uma solução física para o problema, existem muitas outras respostas. Minha preferência é bater à porta do zelador do prédio e dizer: "Caro Zelador, se o senhor me disser a altura desse edifício, eu lhe darei este barômetro".'

A essas alturas, perguntei ao estudante se ele sabia qual era a resposta 'esperada' para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava farto das tentativas do colégio e dos professores de dizerem como ele devia pensar."

Autor desconhecido. Corre uma versão de que o aluno teria sido Niels Bohr, e o árbitro, Lord Rutherford, ambos premiados com o Nobel, em 1922 e 1910, respectivamente. Do professor, nenhuma notícia.