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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Convicções

"Uma pessoa tem convicções e vive com elas. Se as abandona, o que resta? Nada. Embora as coisas não sejam tão puras como as imaginei, continuo a ser o que fui. Ao menos, posso dizer a mim mesmo que não me deixei contaminar."
(Saramago)

(achei enfim o trecho perfeito pra espaços de "quem sou eu")

terça-feira, 1 de março de 2011

Por algum tempo mais

"O Gabriel García Márquez dizia que escrevia para que gostassem dele. É possível. É mais exacto dizer que a gente escreve porque não quer morrer. Ser amado pelo outro não está na nossa mão; podemos escrever para que isso aconteça, e depois acontecerá ou não. Já que temos que morrer, que alguma coisa fique. Não é imortalidade… isso seria um disparate. Trata-se de um reconhecimento por algum tempo mais."

Público (Ípsilon), Lisboa, 7 de Novembro de 2008
In José Saramago nas Suas Palavras

Dos Outros Cadernos de Saramago: http://caderno.josesaramago.org/

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Condenados desde que nascem

"Há que ter em conta que a distância entre os que têm e os que não têm apenas tem paralelismo com a distância entre os que sabem e os que não sabem, e os que não têm são os que não sabem: são condenados desde que nascem."
(José Saramago)
(Porque para que algumas pessoas entendam o sofrimento das outras é necessário comparar com algo que as toque)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

“No soy pesimista, es el mundo el que es pésimo”

"Muita gente me diz que sou pessimista; mas não é verdade, é o mundo que é péssimo. O ser humano limita-se na actualidade a “ter” coisas, mas a humanidade esqueceu-se de “ser”. Este último dá muito trabalho: pensar, duvidar, perguntar-se sobre si mesmo…"
(José Saramago)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre a carne

"A carne é supinamente fraca, e não tanto por sua culpa, pois o espírito, cujo dever, em princípio, seria levantar uma barreira contra todas as tentações, é sempre o primeiro a ceder, a içar a bandeira branca da rendição."
(José Saramago)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Coisas feitas

No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e que é que estamos fazendo e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade.

“Somos sobretudo a memória que temos de nós mesmos”, La Provincia, Las Palmas de Gran Canaria, 20 de Julho de 1997 [Entrevista de Mariano de Santa Ana]

Dos Outros Cadernos de Saramago: http://caderno.josesaramago.org/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ensaio sobre o Luto



Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008


Fica o profundo lamento pela morte de alguém tão grande.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Encontros

Os caminhos por onde os homens circulam só aparentemente são complicados. Procurando bem, sempre se encontram sinais de passos anteriores, analogias, contradições resolvidas ou resolúveis, plataformas onde de repente as linguagens se tornam comuns e universais.

In Viagem a Portugal, José Saramago, Editorial Caminho, 21ª edição, p. 237
(Seleção de Diego Mesa)

sábado, 25 de julho de 2009

Vivo, vivíssimo

José Saramago

Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…