Mostrando postagens com marcador trechos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trechos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão?

Pois é a coisa mais última que se pode dar de si, disse Ulisses."

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pra alguma coisa essa velhice toda há de servir

"Quando se está no foco da própria vida, é impossível refletir. E eu quero refletir, medir o mais aproximadamente possível esta coisa estranha que está acontecendo comigo, reconhecer meus próprios sinais, compensar minha falta de juventude com meu excesso de consciência."

sábado, 11 de agosto de 2012

Porque o coração é cheio de espinhos

"Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude. Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando de minha própria força. Sou forte mas também destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O crime do professor de matemática

"'Há tantas formas de ser culpado e de perder-se para sempre e de se trair e de não se enfrentar. Eu escolhi a de ferir um cão', pensou o homem. 'Porque eu sabia que esse seria um crime menor e que ninguém vai para o Inferno por abandonar um cão que confiou num homem. Porque eu sabia que esse crime não era punível.'

Sentado na chapada, sua cabeça matemática estava fria e inteligente. Só agora ele parecia compreender, em toda sua gélida plenitude, que fizera com o cão algo realmente impune e para sempre. Pois ainda não haviam inventado castigo para os grandes crimes disfarçados e para as profundas traições."

A auto-punição compensa crimes nunca condenados?

sábado, 17 de dezembro de 2011

Apenas uma trégua

"É evidente que Deus me concedeu um destino escuro. Nem sequer cruel. Simplesmente escuro. É evidente que me concedeu uma trégua. A princípio, relutei em acreditar que isso pudesse ser a felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois me dei por vencido e acreditei. Mas não era a felicidade, era apenas uma trégua. Agora estou outra vez metido em meu destino. E é mais escuro do que antes, muito mais."

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fome de fome

"O que tu tens e queres saber (porque te dói), não tem nome.
Só tem (mas vazio) o lugar que abriu em tua vida a sua própria falta.


A dor que te dói pelo avesso, perdida nos teus escuros,
É como alguém que come não o pão, mas a fome
(...)"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Paranoias

‎"Eu me sinto às vezes tão frágil, queria me debruçar em alguém, em alguma coisa. Alguma segurança. Invento estorinhas para mim mesmo, o tempo todo, me conformo, me dou força. Mas a sensação de estar sozinho não me larga. Algumas paranóias, mas nada de grave. O que incomoda é esta fragilidade, essa aceitação, esse contentar-se com quase nada. Estou todo sensível, as coisas me comovem. Tenho regressões a estados antigos, às vezes, mas reajo, procuro me manter ligado às coisas novas que descobri."

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Deve haver alguma espécie de sentido ou o que virá depois?

"Eu teria um trabalhão pra conseguir te acordar e talvez a gente passasse o dia todo fazendo nada. E, talvez, ficando mais velho, você entendesse o meu medo de envelhecer e não entender a vida, mas mesmo assim daria risada de mim e diria que eu sou engraçada. Então você cozinharia só pra tentar me convencer que era o melhor cozinheiro do mundo e só pra contrariar eu diria que não gostei - e você ia ficar bravo e então seria a minha vez de dizer que você é engraçado. Entre brigar e dar risada, a gente faria planos e você pediria pra casar comigo - e eu diria não, só pra depois poder pedir pra casar com você.
Mesmo que hoje não possa ser assim, fico feliz que tenha sido durante três anos. Um dia vai ser de novo, não importa o quanto a gente precise esperar."
  Porque certas coisas só acabam por fora. Continuam existindo, mesmo sem ninguém ver...
 [o trecho é uma mensagem da Jul (http://inconspicuidade.blogspot.com/), escrito pra (tentar) amenizar a saudade do namorado.]
[e olha só um exemplo de um caso em que a matemática falha: metade de dois não é um: é menos, bem menos]

domingo, 11 de setembro de 2011

O pesadelo da felicidade

”(…) O que seria de nós, não é, se fôssemos, de fato, felizes? Já imaginou como isso nos deixaria perplexos, desarmados, mirando ansiosamente em volta em busca de uma desgraça reconfortadora, como as crianças procuram os sorrisos da família numa festa de colégio? Viu por acaso como nos assustamos se alguém, genuinamente, sem segundos pensamentos, se nos entrega, como não suportamos um afeto sincero, incondicional, sem exigência de troca? (...)"

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pausa

"Às vezes me sinto infeliz, simplesmente por não saber do que estou sentindo falta."

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Inércia

"Esta tarde, quando voltava do escritório, um bêbado me deteve no meio da rua. Não protestou contra o governo, nem disse que eu e ele éramos irmãos, nem tocou em nenhum dos inumeráveis temas da embriaguez universal. Era um bêbado estranho, com uma luz especial nos olhos. Me tomou pelo braço e disse, quase se apoiando em mim: 'Sabe o que acontece com você? É que não vai a lugar nenhum.' Outro sujeito que passava nesse instante me olhou com uma alegre dose de compreensão e até me consagrou uma piscadela de solidariedade. Mas já faz quatro horas que estou intranquilo, como se realmente não fosse à parte alguma e somente agora me houvesse inteirado disso."

domingo, 10 de julho de 2011

Atalhos corruptos

"Que horror: tenho as mãos úmidas e estou inundada de angústia."

É um só desespero. Uma angústia profunda. Sentimento que desperta cada célula do corpo e atormenta o cérebro numa tortura lenta e excruciante. Agonia que se traduz em tristeza. Tristeza que aprofunda a agonia.

Porque nem só de lógica vive o mundo. E na ilogicidade das ações e dos fatos reside a vida, em seu âmago. Em cada ato impulsivo, impensado, em cada suspiro desesperado. Em cada instante de escapismo.

E eles são muitos! Viver é caminhar na realidade se apoiando em momentos de fuga. Só não ficou claro ainda se se dá melhor quem tenta se apoiar o menos possível ou quem passa todo o tempo debruçado sobre o que quer que lhe sirva como distração. Afinal, se o que vale é o caminho e não o destino, alienar-se sobre o trajeto como forma de encontrar felicidade-mesmo-que-passageira é ação válida.

Mas não deveria ser. Pois a procura demasiada por atalhos faz perder de vista a estrada principal. E então a vida passa a se resumir a travessas que, desconexas, salientam a efemeridade do desvio, incapaz que é de preservar um rumo e fornecer algo mais que instantes fugidios de felicidade custosa.

Porque você precisa, pelo menos uma vez na vida, se perguntar:

Por que eu vivo?

Mesmo que não encontre resposta.


[E Deus!, eu não faço o sentido que cobro dos outros. Quão culpado devo ser por isso?]

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Idealismo

"Essa viagem é mortal, e começá-la.
Saber que há tudo. E mover-se em meio
A milhões e milhões de formas raras,
Secretas, duras. Eis aí meu canto.

Ele é tão baixo que sequer o escuta
ouvido rente ao chão. Mas é tão alto
que as pedras o absorvem."

(Porque essa é das melhores definições de idealismo.)

Never-vanishing memories

"Ah, mas tudo bem. Em seguida todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outras com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é. "

Melhor se fosse assim, né? Se sempre quem tivesse longe não despertasse saudade e que todo término fosse indolor. Que não ficassem lembranças que, apesar de doces, despertam aquela pontinha (às vezes não tão pequena assim) de tristeza por terem ficado pra trás. Mas Caio, as pessoas que, quando não vistas, não são lembradas, são as coadjuvantes da nossa história. As protagonistas se fazem lembrar. Sempre. Até mais do que se gostaria...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sobre a infinitude do amor

"-- Só sei que nós nos amamos muito...
-- Por que você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
-- Não, eu falei no passado!
-- Curioso, né? É a mesma conjugação.
-- Que língua doida! Quer dizer que nós estamos condenados a amar para sempre?
-- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações...
-- Pensar assim me assusta.
-- Por quê? Você acha isso ruim?
-- É que nessas coisas de amor eu sempre doo demais...
-- Você usou o verbo 'doer' ou 'doar'?
-- (Pausa) Pois é, também dá no mesmo..."

(em sequência ao último post)
PS: não encontrei o autor, por isso não creditei. Google tem referências cruzadas sobre o assunto. Se alguém souber, com certeza, quem é, me conta que eu atualizo os créditos (:

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Convicções

"Uma pessoa tem convicções e vive com elas. Se as abandona, o que resta? Nada. Embora as coisas não sejam tão puras como as imaginei, continuo a ser o que fui. Ao menos, posso dizer a mim mesmo que não me deixei contaminar."
(Saramago)

(achei enfim o trecho perfeito pra espaços de "quem sou eu")

quarta-feira, 1 de junho de 2011

No meio do caminho ele se perdeu

"Uma vez dividiu-se, inquietou-se, passou a sair e a procurar-se. Foi a lugares onde se encontravam homens e mulheres. Todos disseram: felizmente despertou, a vida é curta, precisa-se aproveitar, antes ela era apagada, agora é que é gente. Ninguém sabia que ela estava sendo infeliz a ponto de precisar buscar a vida."

(talvez eu só ainda não tenha "despertado" pra não precisar encarar, no processo, a infelicidade)

sábado, 28 de maio de 2011

Historiar

"A arte de escrever histórias consiste em saber extrair daquele nada que se entendeu da vida todo o resto."

terça-feira, 10 de maio de 2011

O que vale é a intenção

"Daniel olhava os ombros e o pescoço dela com avidez. Aquela obstinação tola o aborreceu, queria quebrá-la. Estava possuído de um desejo enorme e desastrado. Violar aquela consciência, atolar-se com ela na humildade. Mas não era sadismo. Era mais sutil, mais úmido, mais carnal. Era bondade."
(Sartre, A idade da razão)

Porque nem sempre o que é bom é indolor.

(e normalmente não é)

[melhor, não faz a gente perder a capacidade de sentir]

domingo, 20 de março de 2011

Apesar de

"- Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranquilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida. Foi o apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."