"Eu me sinto sozinho", ele disse, e fechou os olhos. Sentir-se sozinho era a forma única e mais segura que ele conhecia de se colocar em contato com seu eu mais secreto e vulnerável, aquele ao qual só conseguia acesso no escuro mais denso no qual podia se considerar invisível. "Eu me sinto sozinho e tenho saudade". Porque era afinal possível ter posse de um sentimento, mesmo de um que não sabia definir.
Essa era a hora em que ele removia o chão sólido e falso que dava acesso ao porão onde mantinha aprisionado o seu âmago, perigoso que era. E descia, sem objetivo em mente além de ficar num estado de meditativa contemplação em relação à sua contraparte. Porque prender também é uma forma de proteger.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
sábado, 26 de novembro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Metonímia
"Faz
frio, muito frio. E sol! Nem tanto sol. Os braços e os calos dos outros
vão passando. Caminham pausadamente. Em alguma mente por aí está a
mente de alguém. Um na mente do outro, um nas pernas do outro e no
peito.
E passam os cabelos das pessoas diante de mim. Não são delas, são dela. Vêm os óculos de uma moça. São dela. Vêm os dedos de um rapaz. São dela.
É dela o coração de qualquer um que passe. O seu coração é todos mais o seu. O seu coração é inclusive o meu.
Em mim vão os trechos dela. Pedacinhos de gente que nela, só nela, são uma gente - e, ainda, todas as outras. Todos os tamanhos e cores de olhares, todos os dentes e pelos e peles. Aquilo que passar por mim terá um quê daquele todo.
Seja um cão alegre, meio malandro. Seja um gato gatuno. Seja uma mosca muito ágil, uma aranha cheia de olhos, uma pedra pensativa, uma folha em branco, um livro, uma música, um poema, o nome de minha irmã.
Sejam as roupas de um colega, o sabor do chá e do café, um par de chinelos. Cerveja. Vinho. Chocolate. Desordem pura, pura felicidade. Seja o meu joelho, a minha unha, as orelhas de uma amiga, um nariz de alguém. Tudo será ela, e tem sido. Decidido e imperativo.
A não ser a boca, que, como aquela, não há em parte alguma."
E passam os cabelos das pessoas diante de mim. Não são delas, são dela. Vêm os óculos de uma moça. São dela. Vêm os dedos de um rapaz. São dela.
É dela o coração de qualquer um que passe. O seu coração é todos mais o seu. O seu coração é inclusive o meu.
Em mim vão os trechos dela. Pedacinhos de gente que nela, só nela, são uma gente - e, ainda, todas as outras. Todos os tamanhos e cores de olhares, todos os dentes e pelos e peles. Aquilo que passar por mim terá um quê daquele todo.
Seja um cão alegre, meio malandro. Seja um gato gatuno. Seja uma mosca muito ágil, uma aranha cheia de olhos, uma pedra pensativa, uma folha em branco, um livro, uma música, um poema, o nome de minha irmã.
Sejam as roupas de um colega, o sabor do chá e do café, um par de chinelos. Cerveja. Vinho. Chocolate. Desordem pura, pura felicidade. Seja o meu joelho, a minha unha, as orelhas de uma amiga, um nariz de alguém. Tudo será ela, e tem sido. Decidido e imperativo.
A não ser a boca, que, como aquela, não há em parte alguma."
(texto descaradamente extraído do ótimo blog da querida Giulia De Conti: http://gdeconti.blogspot.com/2011/09/metonimia.html . Minha contribuição se limita a divulgar -- e a verter algumas palavras para o feminimo, em pequena adaptação)
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Never-vanishing memories
"Ah, mas tudo bem. Em seguida todo mundo se acostuma. As pessoas esquecem umas das outras com tanta facilidade. Como é mesmo que minha mãe dizia? Quem não é visto não é lembrado. Longe dos olhos, longe do coração. Pois é. "
Melhor se fosse assim, né? Se sempre quem tivesse longe não despertasse saudade e que todo término fosse indolor. Que não ficassem lembranças que, apesar de doces, despertam aquela pontinha (às vezes não tão pequena assim) de tristeza por terem ficado pra trás. Mas Caio, as pessoas que, quando não vistas, não são lembradas, são as coadjuvantes da nossa história. As protagonistas se fazem lembrar. Sempre. Até mais do que se gostaria...
Melhor se fosse assim, né? Se sempre quem tivesse longe não despertasse saudade e que todo término fosse indolor. Que não ficassem lembranças que, apesar de doces, despertam aquela pontinha (às vezes não tão pequena assim) de tristeza por terem ficado pra trás. Mas Caio, as pessoas que, quando não vistas, não são lembradas, são as coadjuvantes da nossa história. As protagonistas se fazem lembrar. Sempre. Até mais do que se gostaria...
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