Porque deve ser um defeito imperdoável o de não se contentar com metades. Viver insatisfeito até que se extraia de tudo seu máximo tem seus custos -- e a dificuldade de entender que é possível encontrar paz na simplicidade é um deles. Quando nenhum mergulho é profundo o suficiente qualquer regresso à superfície parece seco demais -- e na ânsia de atingir o fundo das águas, ignora-se todo o mundo que se estende por cima.
E acaba-se descartando um punhado grande de rios e lagos só por serem aparentemente rasos. Como se a infinitude fosse pré-requisito da felicidade.
No final, solidão e incompreensão: solidão que fica ao olhar para o lado e se ver desprovido de qualquer companheiro de insaciedade, e incompreensão de como é possível sobreviver na superfície depois de conhecer as profundezas do mundo e dos sentimentos.
(ignorando todas as vezes em que, no meio de uma tempestade, me pus a desejar qualquer coisa que me garantisse terra firme -- para me contentar não com metade, mas com qualquer milésimo de paz e calmaria)
sábado, 21 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
Sobre quedas e a coragem de se manter firme
So here's the truth about truth: it hurts. So we lie.¹
E eu continuo achando que existe algum motivo metamoralista para ainda existir uma raça psicológica que insiste em negar sua declarada extinção, mantendo-se agarrada à sua preferência pela verdade. Também acho que o motivo vai além do masoquismo: é questão de (in)segurança. A verdade, apesar de fornecer uma visão árida e dura, fornece um piso firme, enquanto a mentira, tão bela aos olhos e ouvidos, deixa as pernas trêmulas e sempre alertas ao perigo da queda. E nada, nada é pior que cair, sem saber a que distância fica o chão.
¹Meredith Grey
(espécie de resposta a um post daqui, ó, outro blog indicadíssimo pra quem não ter medo de ler o mundo pintado com sensibilidade ímpar: http://manuscritodegaveta.blogspot.com/2009/07/e-depois-ha-o-alivio.html)
E eu continuo achando que existe algum motivo metamoralista para ainda existir uma raça psicológica que insiste em negar sua declarada extinção, mantendo-se agarrada à sua preferência pela verdade. Também acho que o motivo vai além do masoquismo: é questão de (in)segurança. A verdade, apesar de fornecer uma visão árida e dura, fornece um piso firme, enquanto a mentira, tão bela aos olhos e ouvidos, deixa as pernas trêmulas e sempre alertas ao perigo da queda. E nada, nada é pior que cair, sem saber a que distância fica o chão.
¹Meredith Grey
(espécie de resposta a um post daqui, ó, outro blog indicadíssimo pra quem não ter medo de ler o mundo pintado com sensibilidade ímpar: http://manuscritodegaveta.blogspot.com/2009/07/e-depois-ha-o-alivio.html)
sábado, 17 de dezembro de 2011
Apenas uma trégua
"É evidente que Deus me concedeu um destino escuro. Nem sequer cruel. Simplesmente escuro. É evidente que me concedeu uma trégua. A princípio, relutei em acreditar que isso pudesse ser a felicidade. Resisti com todas as minhas forças, depois me dei por vencido e acreditei. Mas não era a felicidade, era apenas uma trégua. Agora estou outra vez metido em meu destino. E é mais escuro do que antes, muito mais."
domingo, 4 de dezembro de 2011
Escapismos
Frequentemente eu me pego criando, na minha cabeça, histórias fantásticas em que eu acabo junto de: você. São todas dignas dos maiores filmes de aventura e contam com a presença de agentes secretos, conspirações e diversos tipos de magia. Um sonho infantil. E acabam invariavelmente da mesma forma: com alguma espécie de sacrifício que de alguma forma me redima de meus erros e me devolva o direito de estar de novo com: você. Numa epopeia que não encontra lugar pra acontecer.
Porque sacrifícios, na realidade, dificilmente resultam em muito mais do que alguém machucado.
Mas às vezes sinto uma necessidade urgente de uma dose de realidade e as histórias voltam todas a me pintar como um jovem velho e desiludido, procurando motivos pra seguir acreditando, seguindo uma rotina sem rumo e de vez em quando te emocionando com textos bonitos como os que eu não escrevo. No fim você acaba voltando também, quase como se a distância que se pôs entre a gente não fosse oceânica e como se todas as dores da separação sumissem de repente num beijo ou pranto emocionado.
E quem pode julgar essa história de algum modo mais ou menos realista do que as outras?
Porque sacrifícios, na realidade, dificilmente resultam em muito mais do que alguém machucado.
Mas às vezes sinto uma necessidade urgente de uma dose de realidade e as histórias voltam todas a me pintar como um jovem velho e desiludido, procurando motivos pra seguir acreditando, seguindo uma rotina sem rumo e de vez em quando te emocionando com textos bonitos como os que eu não escrevo. No fim você acaba voltando também, quase como se a distância que se pôs entre a gente não fosse oceânica e como se todas as dores da separação sumissem de repente num beijo ou pranto emocionado.
E quem pode julgar essa história de algum modo mais ou menos realista do que as outras?
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Fome de fome
"O que tu tens e queres saber (porque te dói), não tem nome.
Só tem (mas vazio) o lugar que abriu em tua vida a sua própria falta.
A dor que te dói pelo avesso, perdida nos teus escuros,
É como alguém que come não o pão, mas a fome
(...)"
Só tem (mas vazio) o lugar que abriu em tua vida a sua própria falta.
A dor que te dói pelo avesso, perdida nos teus escuros,
É como alguém que come não o pão, mas a fome
(...)"
domingo, 30 de outubro de 2011
Quites
Toda a minha vida tem sido utilizada para quitar débitos. Um atrás do outro, vou pagando favores, devolvendo socorros e retribuindo emoções. Até que não deva nada a ninguém. E aí o que vem depois?
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